sábado, 1 de março de 2014

Livros Que Me Ocuparam o Sofá, a Cama, a Retrete, o Metro, a Rua, os Dias e as Noites #1

Fevereiro anatomizado:

O Sonho do Celta - Mario Vargas Llosa
Não gostei. Escrita enfadonha, com fórmulas em vez de poesia.  Alguns focos de interesse: o colonialismo no Congo Belga (actual República Democrática do Congo); a exploração esclavagista na Amazónia peruana; o colonialismo disfarçado, mas suficientemente evidente, da Inglaterra sobre a Irlanda.

Os Sequestrados de Altona 
Os Dados Estão Lançados - Jean-Paul Sartre
Gostei imenso dos dois livros. Sobretudo há inteligência. Saber escrever e apimentar texto com existencialismo. Soube-me bem. 
Guardei frases num pequeno bloco de notas:

Sequestrados de Altona (Sartre):
Pág. 64 - 3º Parágrafo
«Um dia, as palavras acudir-me-ão por si próprias, e então direi o que quero.»
Pág. 176 - 1º Parágrafo
«Sou a sombra de uma nuvem, um aguaceiro, e o sol iluminará o lugar onde vivi»
Os Dados Estão Lançados (Sartre):
Pág.46
«Falha-se sempre na vida, no momento em que se morre» 

Resistir - Ernesto Sabato
Terrível desabafo de Sabato. Sobretudo um pessimismo que me fez bocejar. Falou imenso da alienação mas sem nunca falar em alienação. O homem já devia estar com as vistas curtas e o pensamento muito cansado. 

Angústia Para o Jantar - Luís de Sttau Monteiro
Agradável surpresa. Escrita que entretém, mas que não desenvolve muito. Para mim, valeu pela experiência. 

O Papalagui -  Erich Scheurmann
Engraçado e pouco mais. Não senti profundidade no discurso. Para comentar a sociedade ocidental basta-me as obras de Marx e o materialismo histórico. 

Anotei o parágrafo mais interessante:
«Vejo que isto vos faz rir e tenho a certeza de que direis o mesmo que eu: «Se apenas temos o direito de fazer uma só coisa e não podemos participar em todos os trabalhos para os quais é necessária a força do homem, não sentiremos nem metade do prazer, se é que chegamos mesmo a sentir algum!» Estou certo de que chamaríeis louco a qualquer um que vos mandasse servir-vos das mãos para fazer um único trabalho, como se todos os outros membros do vosso corpo e os vossos sentidos estivessem doentes ou mortos.»

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Alguns livros em comum

Se lesse na retrete, talvez os tivesse lido todos...