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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Descarrilou-se no tempo!

Escutem:
O Billy Pilgrim descarrilou-se no tempo.
Billy deitou-se a dormir quando era viúvo senil e acordou no dia do seu casamento. Entrou por uma porta em 1955 e saiu por outra em 1941. Voltou a sair por essa porta e descobriu que estava em 1963. Viu o seu nascimento e morte, muitas vezes, diz ele, e faz visitas fortuitas a todos os acontecimentos entre ambos.
in Matadouro Cinco ou a Cruzada das Crianças, Kurt Vonnegut


Apesar de tudo continuo a ler o livro com a esperança de perceber melhor e com fidedignidade o que se passou em Dresden.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Bloco de Notas #3

"Numa época em que todos passam o pé, eu dizia a mim mesmo que ao menos aquela mulher seria sólida como a terra, sobre a qual podemos construir ou deitarmo-nos. Teria sido belo recomeçar o mundo com ela numa solidão de náufragos."
(O Golpe de Misericórdia, página 88, Marguerite Yourcenar)
Um livro que se lê num só dia, e que fiz por prolongar mais um bocado num deleite de quem só quer adiar o fim. Não sendo particularmente apreciador de obras românticas, deixei-me levar, desprevenido, por esta tragédia de adolescentes que se encontravam num clima complicado, em total desespero alucinante. Contudo, o que me agarrou como leitor foi a profundidade psicológica que caracteriza os dois protagonistas principais. É uma extraordinária obra da escritora belga. 
A situação que nos é descrita é anedótica e absurda. Abundante em contradições inteligentes, ao mesmo tempo que nos alicia com uma escrita carregadinha de humanidade. 
A escritora, no seu prefácio, recomenda que nos devemos concentrar "(...) no valor do documento humano, e não político (...)"que o livro tem. Não me foi difícil fazê-lo. A escrita passou-me por cima do resto. 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Bloco de Notas #2

"Uma noite, quantas madrugadas tem? Andas a contar? Eu não. Lhes apanho só, conforme lhes vejo e sinto. Atrevo: uma só noite tem bué de madrugadas; cada uma dessas madrugadas tem bué de brilhos. Confesso-me aqui, nos lábios da sinceridade: gosto muito disso - acreditar no impossível das palavras, lhes maltratar no português delas, ser livre na boca das estórias em deixar estar aqui, sentado dentro de mim, abismático. E sonhar!, sonhar até chegar nesse quintal onde dentro de mim nascem barulhos e não só: nascem brilhos. Vejo búzios que se riem à toa e aprendo: posso descansar as vozes como se fossem conchas de pousar na areia depois de lhes apanhar numa noite de lua brilhante. Depois do barulho das vozes os búzios se calam e eu, no respeito, me calo também."  (Quantas Madrugadas Tem a Noite - Ondjaki, página 110)

Comentei em baixo:
 «As nossas noites levam uma infinidade de madrugadas e lusco-fusco, varinha mágica, ideias soltas: parir insónias e não haver copos nem avilo a quem contar estórias. Ondjaki é poeta que se arranca da terra em estado puro. Esqueçam os outros diamantes, e desenterremos estes diamantes, Angola estaria muito melhor.»


sábado, 22 de março de 2014

Bloco de Notas #1

(a partir de certa altura se não somos nós que desistimos as partes de que somos feitos desistem sozinhas, vou-te perdendo Maria Adelaide ao perder o som da mobília, não te afastes agora que os círios nos copos de papel caminham ao meu lado)                                            O Arquipélago da Insónia - pág 154, 6º parágrafo

Ainda anotei:
Se em vez de Maria Adelaide estivesse escrito Joana, nunca mais me levantaria da cama. 

sábado, 1 de março de 2014

Livros Que Me Ocuparam o Sofá, a Cama, a Retrete, o Metro, a Rua, os Dias e as Noites #1

Fevereiro anatomizado:

O Sonho do Celta - Mario Vargas Llosa
Não gostei. Escrita enfadonha, com fórmulas em vez de poesia.  Alguns focos de interesse: o colonialismo no Congo Belga (actual República Democrática do Congo); a exploração esclavagista na Amazónia peruana; o colonialismo disfarçado, mas suficientemente evidente, da Inglaterra sobre a Irlanda.

Os Sequestrados de Altona 
Os Dados Estão Lançados - Jean-Paul Sartre
Gostei imenso dos dois livros. Sobretudo há inteligência. Saber escrever e apimentar texto com existencialismo. Soube-me bem. 
Guardei frases num pequeno bloco de notas:

Sequestrados de Altona (Sartre):
Pág. 64 - 3º Parágrafo
«Um dia, as palavras acudir-me-ão por si próprias, e então direi o que quero.»
Pág. 176 - 1º Parágrafo
«Sou a sombra de uma nuvem, um aguaceiro, e o sol iluminará o lugar onde vivi»
Os Dados Estão Lançados (Sartre):
Pág.46
«Falha-se sempre na vida, no momento em que se morre» 

Resistir - Ernesto Sabato
Terrível desabafo de Sabato. Sobretudo um pessimismo que me fez bocejar. Falou imenso da alienação mas sem nunca falar em alienação. O homem já devia estar com as vistas curtas e o pensamento muito cansado. 

Angústia Para o Jantar - Luís de Sttau Monteiro
Agradável surpresa. Escrita que entretém, mas que não desenvolve muito. Para mim, valeu pela experiência. 

O Papalagui -  Erich Scheurmann
Engraçado e pouco mais. Não senti profundidade no discurso. Para comentar a sociedade ocidental basta-me as obras de Marx e o materialismo histórico. 

Anotei o parágrafo mais interessante:
«Vejo que isto vos faz rir e tenho a certeza de que direis o mesmo que eu: «Se apenas temos o direito de fazer uma só coisa e não podemos participar em todos os trabalhos para os quais é necessária a força do homem, não sentiremos nem metade do prazer, se é que chegamos mesmo a sentir algum!» Estou certo de que chamaríeis louco a qualquer um que vos mandasse servir-vos das mãos para fazer um único trabalho, como se todos os outros membros do vosso corpo e os vossos sentidos estivessem doentes ou mortos.»