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sábado, 9 de maio de 2015

9 de Maio - Dia da Vitória

A 2 de Maio de 1945 o exército da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas tomava o Reichstag. A bandeira vermelha com a foice e o martelo, hasteada por um soldado soviético, ondulava em Berlim. Passados alguns dias, a 8 de Maio de 1945, a Alemanha nazi assinava a sua rendição incondicional. A 9 de Maio o povo soviético comemorava em Moscovo a vitória na «Grande Guerra Patriótica», fazendo esse dia passar à História como o «Dia da Vitória». Tinha terminado a II Guerra Mundial no continente europeu, seguir-se-ia a derrota do Japão imperial no continente asiático. [1]

Discursos de Stalin

Esta é uma raridade, legendada até agora em poucas línguas: o discurso de Stálin na Praça Vermelha diante das Forças Armadas, no aniversário de 24 anos da Revolução Bolchevique de Outubro, a 7 de novembro de 1941 - assim nos apresenta o vídeo legendado e publicado pelo canal de Youtube Pan-Eslavo Brasil.

O autor da tradução e legendagem contextualiza o primeiro vídeo:
Em plena invasão dos nazistas alemães à União Soviética, iniciada em junho de 1941, e com o inimigo às portas de Moscou e Leningrado (atual São Petersburgo), Ióssif Stálin, Secretário-Geral do Partido Comunista (bolchevique) da URSS, toma uma decisão ousada: realizar a parada de comemoração do aniversário da revolução socialista nas mais duras condições, sob cerco e sob forte tensão. A justificativa é a de que o mesmo foi feito com sucesso em 1918, durante a Guerra Civil Russa, comemorando-se o primeiro aniversário da Revolução de Outubro, enquanto as tropas brancas e seus auxiliares estrangeiros cercavam militarmente o governo bolchevique.




Trata-se do excerto de um informe de Iosif Stalin, líder soviético, à sessão solene do Soviete de Moscou de Deputados Trabalhadores com organizações partidárias e sociais da cidade de Moscou, ocorrida a 6 de novembro de 1944, informe cujo texto foi publicado na íntegra na edição do jornal Pravda do dia seguinte. [2]



Nova tradução e primeira legendagem do discurso do líder soviético Iosif Stalin celebrando a capitulação total do exército alemão e a vitória da URSS e seus aliados na Segunda Guerra Mundial, a 9 de maio de 1945. Foi transmitido em russo pelo rádio a toda a população, e constitui um documento histórico da maior importância. [2]
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[1] Introdução retirada ao texto de Ângelo Alves no Avante!, aqui.
[2] Vídeos e textos retirados do excelente canal de Youtube Pan-Eslavo Brasil.

domingo, 13 de julho de 2014

Charlie Haden

Demorei a compreender porque me perturbou tanto. Passei a manhã inteira a ouvir e a ler sobre ele, a ultrapassar este desaparecimento. Morreu Charles Haden!

Na noite anterior tinha lido isto, mas não me apercebi...

Há muito que era o baixista que me desafiava mais no Jazz, sem compreender se gostava ou não dele, se me tocava realmente ou apenas me fazia confusão. Seu estilo decidido e imparável, mesmo quando nas músicas mais calmas e composições de toque evidentes, havia algo que achava não bater certo... era uma tensão constante, um flutuar tenso pela harmonia sempre com o entoar decidido e imparável do baixo de Haden.

Há tempos percebi que ele era o branco que tocava nos álbuns do Ornette Coleman! Ouvia-os sem saber quem ele era, ignorando a sua importância. Frenéticos. Esses álbuns ajudam-me agora a compreender o que me fazia confusão em Haden. Vejo um bocado os baixistas de Jazz como aqueles que fazem de corda e rede em simultâneo para a banda passar, mas Haden não era rede, e se fosse corda ela estaria bamba. Se a banda quisesse sobreviver à queda teria voar ou cair com ele, e arriscavam-se a ser embrulhados numa luta de vai ou racha. Mais ou menos isso.

Só agora, que morreu, é que percebi o valor que me tem. Ainda por cima, ele tem uma das histórias mais fascinantes relativamente à história do Jazz em Portugal...


Até amanhã, camarada!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Contemplar o Skateboarding: Centelhas da vida



Recordando o Skate.

Em mim, há todo um revivalismo. 
Intrepidez. Vertigem em tons de asneira. Puxar de um cigarro, prancha no pé e lanço de escadas a dar-lhe três quatro cinco metros, rumo à aventura. Havia sabor de juventude nos desafios à gravidade, enquanto ouvíamos e ouvíamos e ouvíamos At the Drive In, e enquanto ouvíamos e ouvíamos e ouvíamos, o cigarro mingava, o J. fazia-se à atmosfera, foguetão rumo à electricidade da queda.
Na escola, um gajo com «cabelo à foda-se», «cabelo à beto», dizia-nos encarecidamente
«skate é para podres»
Beto, surf, «cabelo à foda-se», PPM a tons de azul e branco
«skate é para pobre
Vai-te foder filho da puta.

Skate que se praticava em Lisboa era skate de becos, traseiras, betesgas mal amanhadas. Skate como arte de imaginação. Transformar o meio urbano para a prática dos saltos com prancha. 
Vizinhos, gente com cabeça raquítica, bófia
(alguém ainda usa o termo chuis?)
Havia alguém que reconhecesse o valor do skateboarding?
Não nos interessava. Desde que o J. saltasse o que tinha de saltar, desde que me espetasse onde tinha que me espetar, o mundo girava com toda naturalidade. 
Vejam o skate. Vejam com olhos de ver. Há transformação do quotidiano. Há novas formas e novos caminhos e novas visões da cidade urbana. Há toda uma imaginação condensada em pés, prancha e voo. Há coragem e estupidez. Inseparáveis. Tanta burrice em quem parte o braço e está pronto para outra tentativa. E quando um gajo tirava um «coelho da cartola»? Todo um grupo eufórico. Cada vez mais estímulos para tentar o impossível. O J. saltar um  lanço de três quatro cinco metros, aterrar sobre a prancha com ar de «no pasó nada», e todos nós aos pulos. 

Para finalizar, um pequeno apontamento. 
Consciência de classe? Só na minha cabeça. Naquele tempo, quer houvesse ou não consciência, andar de skate era uma questão de classe. Andar de skate era não recear partir os punhos e era não recear as proibições e os preconceitos. 

Um bem haja às memórias que guardo do Skate. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Euro e União Europeia - Pandemia Bubónica

No próximo domingo há eleições para o parlamento europeu. O enredo é difuso. É assim a realidade, cheia de contradições. Acontecimento enredado por ideias e imagens épicas e fabulosas que é na verdade outra coisa. Falam em «Europa» quando é apenas «União Europeia»: a Europa existia antes da UE e continuará a existir depois desta. Falam em «eleições europeias» quando são apenas para o «Parlamento Europeu» [link]. As eleições ajudam a dar uma aparência de democracia, mas a aparência não coincide com a realidade concreta. O Parlamento Europeu tem poderes muito limitados. Aqueles que mandam na UE não são eleitos. O épico não é fabuloso, é angustiante. A ilusão e ignorância perante estes assuntos permite-nos poupar nos ansiolíticos e apreciar a grandiosidade sinfónica do Hino da Alegria. Não o tenho ouvido ultimamente!

É épico, é sim. É enorme, o «monstro europeu». Sensação de esmagamento. Somos demasiado pequenos. Insignificantes. Que fazer? Tamanho monstro só pode ser combatido com um movimento de massas - maldita consciência! Individualmente, temos uma infinitésima importância na mudança. Votar é importante, mas é infinitésimalmente útil. É-o mesmo escolhendo colocar a cruz no Partido da classe operária - a classe progressista - e já em si um grande movimento de massas. O enredo é contraditório. É útil e inútil. É crucial e ao mesmo tempo infinitesimal, isto é, aproximadamente igual a inútil.

Em A Peste, de Albert Camus, a desesperança tomou contra da cidade de Oran, uma tragédia de contornos difusos e inicialmente ignorados pela maioria população era na realidade bastante concreta, era a Peste. Os habitantes morriam pelo meio das ruas ou agonizavam em suas casas. Ela parecia imparável. No entanto, apesar da ausência de esperança, houve quem tivesse organizado equipas de saneamento, tratado os doentes, dado a vida por muitos que se limitavam a olhar, ignorando a sua própria utilidade infinitesimal, cobardes perante o épico desenvolvimento da tragédia.

Fascina-me este estranho fenómeno. Mesmo quando está claramente tudo perdido, e a tragédia é imbatível, há alguém que num insensato altruísmo se maça para fazer algo de útil. Infinitesimalmente útil. E, por fim, demonstram na prática que a tragédia só era inevitável na aparência, na voz e pensamento da maioria das pessoas. Foi o que fizeram os povos da União Soviética enfrentando o maior exército da História. Foi o que fizeram os comunistas e outros democratas na década de 60 em Portugal: quantos acreditariam que poucos anos depois o regime fascista cairia perante uma revolução democrática e nacional rumando, embora temporariamente, para o socialismo?

Quantos de nós acreditam ser possível que as amarras do Euro e da União Europeia possam estar prestes a cair? No entanto, há quem incorpore já equipas de saneamento. Tal como o exército nazi e o regime fascista português, foi uma estranha soma de acções individuais infinitésimais (mas organizadas) que remeteram na cidade de Oran a Peste para o passado.

Mas nem sempre as histórias acabam bem.