quinta-feira, 10 de julho de 2014

Bloco de Notas #3

"Numa época em que todos passam o pé, eu dizia a mim mesmo que ao menos aquela mulher seria sólida como a terra, sobre a qual podemos construir ou deitarmo-nos. Teria sido belo recomeçar o mundo com ela numa solidão de náufragos."
(O Golpe de Misericórdia, página 88, Marguerite Yourcenar)
Um livro que se lê num só dia, e que fiz por prolongar mais um bocado num deleite de quem só quer adiar o fim. Não sendo particularmente apreciador de obras românticas, deixei-me levar, desprevenido, por esta tragédia de adolescentes que se encontravam num clima complicado, em total desespero alucinante. Contudo, o que me agarrou como leitor foi a profundidade psicológica que caracteriza os dois protagonistas principais. É uma extraordinária obra da escritora belga. 
A situação que nos é descrita é anedótica e absurda. Abundante em contradições inteligentes, ao mesmo tempo que nos alicia com uma escrita carregadinha de humanidade. 
A escritora, no seu prefácio, recomenda que nos devemos concentrar "(...) no valor do documento humano, e não político (...)"que o livro tem. Não me foi difícil fazê-lo. A escrita passou-me por cima do resto. 

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Os livros escritos por mulheres, conseguem isso!

...mas separar o valor humano do político
é suspeito, no mínimo

(suspeitar ainda não é um juízo)