domingo, 22 de dezembro de 2013

A Minha Raiz Escura.

Rua da Escola Politécnica [1] 
Há dias era Verão. Raízes escuras cresciam nos nossos pés.
Raízes?
Sombras.
Sombras escuras cresciam nos nossos pés. Hoje é Inverno. As sombras parecem-me mais modestas. 
No Verão, Lisboa é film noir. Luz e sombra. Acção: vejo-me parado na Rua da Escola Politécnica. Estou a tentar enrolar um cigarro. Faço-o parado, calmo, sol junto à nuca. Reparo na minha sombra, raiz dos pés à parede. Ainda ocupado a enrolar o cigarro, a sombra estica o braço e acena-me. Quase deixo cair o tabaco. Um susto que se transforma em curiosidade que evolui para satisfação. Uma sombra que comunica. 
A razão invade-me. Olho para trás: afinal a sombra não me pertence. Tristeza. Enrolo os olhos para baixo e sigo a minha vida. 

[1] Imagem retirada daqui

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

A tua sombra é a tua melhor amiga
Um dia, pregar-te-á uma partida

(à minha? sigo-a!)